Four years in Germany

Hello 🙂

I realized that in the beginning of this month I completed 4 years living in Germany and now looking at my blog and what to post, I think this would be a good theme to talk about.

From all the places I lived, Germany was the last one I would guess it would be the one I would live the longest. In these four years I was finally able to find what I was looking from a long time, stability.

Stability, for me, doesn’t mean that everything was good and easy. I had a bunch of up and downs that maybe if it was other times, I would probably moved out, but for some reason, I stayed. And I’m glad I did.

In these four years I first shared a flat with a German girl. After one year I fulfilled my dream of living alone, it was amazing! I always thought living alone would be great, but it was even better. It was so good to finally have my own little space, where I was the one responsible for everything. However, after two years, my boyfriend and I decided to live together, and again, it’s being better than I imagined.

Living in Germany for this long, gave me the chance to have situations/opportunities/problems of a life that I wouldn’t have as a nômade moving every year or so. And I really like having “normal” problems. It’s nice to have a base and always have a place to come back to.

Being in Germany for this long also broke my own personal record of being in one place for so long. Since I was little, still in Brazil, I would always move houses, schools and cities, I don’t recall of being more than 2/3 years in the same place. And maybe that’s why I’m so happy to have some type of situations and describe my problem as “normal” problems, even though I love traveling and knowing different cultures, deep down, I always wanted to settle in one place and experience this in the long term. So I think it hits different for me.

As I said previously, not everything was roses, I had plenty of downs, and some of them still hunts me. For instance, it’s very embarrassing for me to admit that even after four years, I can’t speak a fluent German. I tried many many times to study, go to classes, but for some reason I just couldn’t finish or take it seriously. Maybe it’s the fact that I don’t need/use German in my daily basis (giving that I speak in English for my work and all my friends are foreigns). Still, not at all a good reason to not know the language.

Overall, Germany is a very welcoming place, people can be a bit more serious and not very open to new people. However the country is very foreign friendly and I truly feel at home in here. It’s also the place in which I feel the safest, I can just walk around day and night without any concern.

I’m still not sure if Germany is the place where I want to spend the rest of my life in. The weather is very severe on winter and the lack of sun/light is something that gets you more than you can imagine (specially for a Brazilian :p). The language is also something that makes things a bit more complicated to try new things (new classes, meet new people and so on…) But for now, it’s the place in which I call it home, and I’m truly happy to call it like that ❤️

Ciao!

Oláá!

Como vocês estão? Vim desabafar um pouco sobre minha vida desde que eu cheguei aqui! =)

Bom, como eu disse no último post, eu vim pra Itália meio que na loucura, minha prima me chamou pra vir morar com ela e eu não pensei duas vezes, comprei a passagem em uma semana, e depois de um mês estava aqui, em Torino, uma cidade que fica a 2horas de Milão, e é também cidade onde fica o maior time de futebol da Itália, a Juventus (que aqui se pronuncia Iuventus #ficaadica).

Eu estou no processo de tirar minha cidadania Portuguesa, que olha, é bem burocrático e bem caro. Posso até fazer um post sobre isso mais pra frente. Bom, minha cidadania era pra sair logo depois que eu chegasse na Itália, então eu tava super tranquila.
Meus planos eram chegar aqui, pegar uns bicos de babá até minha cidadania sair, fazer um curso de italiano e depois de uns 3 meses já ter casa, emprego, carro, marido, filhos (os dois últimos é uma gostosa brincadeira amigos, pelo amor de Deus). SÓ QUE NÃO NÉ.

E se tem uma coisa que essa Itália ta me ensinando é: PA-CI-ÊN-CIA 
Eu sempre fui – e ainda sou – uma pessoa imediatista, quero tudo pra ontem, e se não acontecer, eu desisto, simplesmente. Como uma boa ariana né queridosss hahaha.
Então desde que eu vim pra cá eu sinto que estou sendo “testada” a todo instante, pra justamente ser uma pessoa mais paciente e ver que as coisas não acontecem da noite pro dia.

Acontece que eu to aqui já faz uns meses e minha cidadania ainda não saiu, meu italiano não tá ótimo ainda, as pessoas aqui não falam inglês, logo eu não consigo muitos trabalhos como babá, e os cursos de italiano só começam em outubro.

Nos primeiros meses, eu me desesperei. Chorava todos os dias, tava sem rumo, sem direção, ficava pensando se eu fiz a escolha certa, se minha prima ia me chutar de casa da noite pro dia, se o dia ia raiar amanhã, se a vida fazia sentido, se o branco era branco mesmo, bem novelona mexicana mesmo, dramaaaatica hahaha

Minha prima e eu conversamos muito. Ela me deu total segurança de que ela tá aqui pra mim pra o que der e vier, que ela sempre soube que não seria em um mês que minha vida iria se resolver e que era pra eu ficar tranquila. A sorte que eu tenho de ter alguém que já passou por tudo que eu to passando, e ainda ser alguém da minha família, não dá pra descrever. Nem sei o que eu tenho que fazer nessa vidinha e nas próximas, pra agradecer tudo que ela tá fazendo por mim, sério mesmo. No meio dessa turbulência que tá a minha vida ultimamente, Deus tá sempre colocando anjos no meu caminho pra eu não enlouquecer de vez, ainda bem.

A questão é que eu não sei ainda se eu tomei a melhor decisão, eu ainda não sei que rumo tomar, ainda não tenho um emprego fixo (to fazendo uns bicos aqui e ali) e eu ainda me desespero de vez em quando. Mas eu to aprendendo a ter paciência, aprendendo a entender e observar o que tá acontecendo. Não é fácil, eu sou agitada, quero tudo pra ontem, quero viajar, quero ir pra Londres, Berlim, Barcelona, afinal, eu to na Europa meu Deus, me deixa aproveitar! Massss, não é assim que tá funcionando e eu to tendo que aprender a lidar com a vida de uma outra forma.
Não é fácil, mas vou contar pra vocês que não tá sendo ruim não, viu?! Tá sendo um desafio me encontrar e de manter a calma no meio desse mar de incertezas que tá essa vidinha de meu Deus, mas eu to aprendendo demais. E quando eu vejo pequenas coisas dando certo, aos poucos, está me fazendo ser mais grata por tudo que tá acontecendo comigo.

Minha relação com a Itália é de amor de ódio, quero fazer um post sobre as minhas primeiras impressões daqui e das diferenças daqui com os EUA e Brasil também.
Mas, resumindo, eu to amando essa nova fase da minha vida, amando as pessoas que eu to conhecendo, e também as pessoas que mesmo de longe, estão me dando uma força descomunal pra tudo. Eu não poderia ser mais grata por todas as reviravoltas que a vida tá dando, tá TOPSTER! hahahahahahha

É isso gente, foi só um desabafo mesmo sobre tudo que tá acontecendo comigo nessa terrinha da pizza. Prometo que os próximos posts serão mais informativos do que pessoais, como tá sendo até agora. Eu só queria colocar pra fora e tentar mostrar que não é só porque eu to fora do Brasil, morando na Itália, que minha vida tá menos difícil, alias, ela tá bem mais complicada do que se eu tivesse ficado na minha zona de conforto nos EUA ou no Brasil. Mas aqui a gente não trabalha com conforto e vidinha fácil, a gente coloca no nível hard e só vai. Eu to muito feliz com a minha nova vida, de verdade mesmo, e com todas as decisões que eu tomei até chegar aqui.

Beijo no coração.

 

Powerless

É muito difícil começar um texto onde as palavras se perdem pois meus sentimentos sobre o assunto ainda estão tão confusos. Ainda tá uma explosão dentro de mim, ainda não consegui digerir tudo que tem pra digerir, ainda to tentando acompanhar tudo que está sendo dito, todas as informações, to especulando mil coisas, tentando achar respostas pras perguntas que surgem a cada minuto na minha cabeça. Mas a verdade é uma só: meu ídolo foi embora, pra sempre.

Eu ouvi Linkin Park a primeira vez na vida na casa de uma tia com meus primos, todos mais velhos. Eu devia ter uns 7 anos quando minha prima colocou Hybrid Theory pra tocar e eu só me lembro de ter pensado “esses caras gritam muito”. Algum tempo passou e eu estava na casa de uma outra tia e uma prima estava dando algumas coisas embora, dentre elas um CD pirata, daquela mesma banda de um tempo atrás. Peguei na hora, não pelo som, mas porque eu conhecia uma banda que minha prima mais velha conhecia, e eu me senti “cool” por isso.

Quando criança, eu nunca gostei de Sandy & Junior, Rebelde e afins. Nunca me permiti. Meus primos não gostavam, tiravam sarro de quem gostava. Então eu não gostava também. Não era nenhum sacrifício, meus primos eram (e ainda são) minha referencia pra muitas coisas.
Gostar de Linkin Park, no começo, era um jeito de mostrar pra eles que eu também sabia ser legal que nem eles, que eu também tinha ‘bom gosto’.

O “problema” é que eu comecei a gostar, e muito, de ouvir aquele CD pirata.
Linkin Park passou a ser o papel de parede do meu quarto, de tantos pôsteres que eu tinha. Eu ia na banca toda semana comprar um novo, sempre tinha um espacinho na parede pra mais uma foto. Tinha orgulho demais de gostar de uma banda como essa. Sabia a letra de todas as musicas de cor, via DVD’s deles todos os dias, sabia o que eles gostavam, o que não gostavam, data de aniversário, nome de namorada, nome de filho, significado de tatuagens… Sabia até que o Mike Shinoda odiava quando alguém falava em terceira pessoa.
Foram blogs, cartas, desenhos, e pastas de fotos dedicadas ao Linkin Park e ao meu amor platônico, Mike Shinoda. Eu respirava Linkin Park e na escola as pessoas realmente chegaram a acreditar que meu sobrenome era Shinoda.

A banda me deu forças pra todas as fases da minha vida. Passei pelos problemas normais de uma adolescente, e alguns mais pesados, que eu não tinha que ter passado. Não foi fácil, ainda carrego as cicatrizes comigo. E Linkin Park tava lá, a voz do Chester tava lá, eles estavam me ajudando, e muito, durante todo esse tempo.
Saber que eu podia me desconectar dos meus problemas a qualquer momento e ouvir o Chester e o Mike cantar, me ajudou mais do que eu possa descrever.

Linkin Park evoluiu e eu também. Minha admiração só aumentou a cada album que eles lançavam, um completamente diferente do outro, outro ritmo, outra proposta, outra fase. Muitos não gostavam, mas eu só achava melhor a cada música nova que eu ouvia, ficava admirada com o talento deles de se reinventarem a cada album, e não perderem a essência.

Eles foram 3 vezes pro Brasil, enquanto eu morava lá. A primeira eu era muito nova, e tive que aceitar chorando o não do meu pai. A segunda, foi num festival fora de São Paulo, e como eu ainda não me bancava sozinha, não tive como ir.
Mas na terceira vez, em 2012, eu estava lá. Estava com duas pessoas muito importantes pra mim. A banda tinha acabado de lançar ‘Living Things’, album que me emociona muito até hoje.
Eles abriram o show com ‘faint’. Eu não estava acreditando que eles estavam ali, todos eles, meus ídolos, que eu admirava tanto, há tanto tempo, estavam na minha frente, cantando pra mim. Eu pulei, gritei, gritei muito. Logo depois veio ‘in my remains’, e eu não me aguentei e chorei, chorei muito. O show foi tudo que eu esperava e mais.
Finalmente, depois de tanta espera, eu estava vendo minha banda preferida pela primeira vez.

Depois disso, eu tive a oportunidade de ir em mais 2 shows deles. O último foi há um mês atrás, aqui na Itália. Ah se eu soubesse que seria a ultima vez que eu veria o Chester, a ultima vez que eu ouviria aquela voz ao vivo. Uma voz diferente, uma voz que te envolve, uma voz que transmite muito mais que uma musica, uma voz tão perfeita ao vivo quanto num CD. O show foi emocionante e incrível como os outros, saí de lá renovada, orgulhosa de gostar de uma banda que nem Linkin Park, e com a certeza de que mesmo depois de tantos anos, eles ainda eram os melhores.

No dia 20 de julho de 2017 eu estava trabalhando. Estava cuidando de 4 crianças. E enquanto eles viam televisão, eu fui checar meu celular. A primeira mensagem era da minha prima em um grupo que participamos: “Se for verdade, a Lari vai morrer”. Depois uma mensagem do meu melhor amigo: “Já ficou sabendo?” depois outra amiga: “Eu sinto muito” depois outro amigo: “Você é bem fã de Linkin Park né? pq ele fez isso?” e mais um monte de mensagens similares.
Eu não estava entendendo nada, abri meu facebook e vi em todos os portais de noticias que meu cantor preferido, da minha banda preferida, tinha tirado a própria vida.

Na minha vida, graças a Deus, eu perdi poucas pessoas próximas a mim. Eu não sei lidar muito bem com a morte, eu me considero alguém que demora pra digerir o que aconteceu. É muito difícil de assimilar que uma pessoa que estava presente há pouco tempo, já não está mais. E nunca mais estará.
Eu chorei, eu chorei muito, eu ainda choro e provavelmente eu não vou parar de chorar pelo o que aconteceu.

A essa altura do texto, dá pra entender que Linkin Park não é somente uma banda que eu gosto, dá pra entender que o papel que eles tiveram, e ainda tem, na minha vida é enorme. Então dá pra entender que mesmo eu nunca tendo conhecido, de fato, o Chester, a morte dele me abalou muito mais do que o normal. Afinal, ele estava presente na minha vida mais que muitas pessoas que eu via no meu dia a dia.
Tentar entender o que aconteceu não é difícil. Todos nós temos nossos demônios pra enfrentar, todos nós já passamos por uma fase difícil na vida, por um trauma.  Todos nós temos aquela vozinha dentro de nós tentando colocar a gente pra baixo. Pra alguns ela fala mais alto e com mais frequência, pra outros, é quase um sussurro e ela só vem as vezes. Mas ela está ali, em todos nós. No dia 20 de Julho, a voz de dentro da cabeça do Chester falou mais alto do que ele poderia aguentar.
Difícil é saber que o cara que me ajudou tanto ao longo da vida, que já me deu tanta força pra seguir em frente, que já falou mais comigo através da musica do que um amigo proximo, não conseguiu ser sua própria salvação. Me corta em pedaços saber que dor dele era maior do que tudo que ele conquistou e tinha.
Acho que eu e todos os fãs só queríamos pegar o Chester no colo e fazer tudo que ele fez por todos nós esses anos todos.
A família não conseguiu fazer ele ficar, a banda não conseguiu fazer ele ficar, os fãs não conseguiram fazer ele ficar. E então, ele foi.

Não vai ser fácil daqui pra frente, na verdade, não sei como vai ser. Não sei qual vai ser o futuro da banda, e isso me assusta muito. Mas eu espero que o Chester ache a paz que ele tanto procurou. Pois nós vimos sua luta todos esses anos transmitidas nas melhores músicas já feitas.

“When my time comes
Forget the wrong that I’ve done
Help me leave behind some reasons to be missed
And don’t resent me
And when you’re feeling empty
Keep me in your memory
Leave out all the rest.”

Lari Shinoda.